Remineralização dos solos e alimentos

Conceitos, trabalhos e depoimentos


O Basalto e a Remineralização dos Solos e dos Alimentos no Brasil

 

Efeitos do Basalto Agrícola em SOJA:

. autor: Eng. Agr. Carlos Cristan

Soja em produção de grãos:

Realizei o acompanhamento da aplicação do pó de basalto na safra 2003/2004 de soja, na cidade de Catalão, Estado de Goiás, na Fazenda Campo Alegre, propriedade dos Irmãos Ivers.

O solo do local apresenta características de Cerrado, com vegetação muitas vezes semelhante às das savanas africanas, ou seja, pobre em Fósforo e com altas concentrações de Alumínio, que dependendo dos teores encontrados pode ser tóxico para as raízes das plantas.

 


Realizamos a aplicação de basalto em duas condições bem diferentes. Em uma área estava sendo desbravada e era a primeira vez que se cultivava soja, e o plantio foi realizado de forma convencional, ou seja com o preparo do solo com arado e grade.
Em outra área, que já era cultivada há anos, e o solo já estava bem corrigido, a soja foi cultivada no sistema de plantio direto, numa área que em que já se usava essa pratica há sete anos.

Em ambos os casos fizemos a aplicação poucos dias antes da semeadura, e de forma a complementar a adubação convencional e sem a incorporação do material, com a dosagem de 2 toneladas por hectare.

 


Sr. Irineu Ivers comparando feixes de plantas
tratadas com basalto (feixe da frente)
e a testemunha (feixe próximo a ele)

 

Nas áreas de plantio convencional, cujo solo era ainda bastante pobre em nutrientes, os resultados foram mais expressivos em termos de se visualizar o crescimento e a produtividade em relação à área testemunha.

Veja as fotos abaixo quando as plantas estavam com cerca de 90 dias:

 


Soja com basalto em plantio direto:
a arquitetura da planta se modifica com as folhas mais eretas

 

 


Soja sem basalto em plantio direto:
impressão das folhas estarem murchas sob sol forte



Nas duas áreas em que aplicamos o basalto, notei que as lagartas que são pragas de ocorrência normal nesse tipo de plantação, elas não se desenvolveram bem, pois as folhas da soja ficaram mais duras que o normal, devido as altas concentrações de silício encontradas no basalto.

Há estudos aqui no Brasil, como os divulgados pelo engenheiro agrônomo da Embrapa de Mato Grosso do Sul, Oscar Fontão Filho, que apontam que o Silício torna os tecidos das plantas mais resistentes e duros, provocando o desgaste das mandíbulas das lagartas, impedindo-as de alimentarem normalmente e assim acabam morrendo.

No nosso caso, notei que as lagartas morriam jovens e mumificadas pelo ataque de um fungo entopatogênico (fungo causador de doença em insetos) bem provável do gênero Nomuria pelos sintomas que elas apresentavam.
Creio que esses fungos penetraram nas lagartas através dos ferimentos nas mandíbulas delas, não deixando que chegassem em grande número a fase adulta, e provocando danos pouco significativos com sua alimentação de folhas de soja.

 



Lagarta atacada por fungo entomopatogênico



Outro aspecto muito importante notado em nosso caso, foi um ataque muito menor que o normal pelo fungo Phakopsora pachyrhizi que causa aqui no Brasil a chamada “ferrugem asiática” da soja.

Para o controle dessa doença em toda a fazenda , considerada área testemunha, foram necessárias a aplicação duas vezes de fungicidas, enquanto que nas áreas tratadas com basalto apenas uma aplicação de fungicida.

Para fins de realizar observações, deixamos uma área onde foi aplicado o basalto sem realizar nenhum tipo de pulverização visando o controle da “ferrugem asiática”.
Nessa área em que nenhum fungicida foi aplicado, a doença ficou bem visível no campo, pois se formou um “caminho” de coloração cinza na plantação.

 


Área onde não foram aplicados fungicidas formou um “caminho” de cor cinza
na plantação de soja

 

 

Quando realizei a avaliação em separado dessa área que foi apenas tratada com basalto, mas sem fungicidas, a produtividade foi de 32 sacas de 60 kg por hectare (1.920 kg/ha), enquanto que os produtores de soja dessa mesma região que optaram por não fazer nenhum tratamento químico em suas lavouras para o controle da ferrugem asiática, colheram entre 12 e 18 sacas por hectare ( 720 a 1.080 kg ). Ou seja uma diferença muito grande.

Não quero com isso dizer para os produtores que aplicaram basalto em seus solos, deixarem de usar métodos de proteção contra fungos em suas plantações. O que quero dizer é que neste caso, o basalto proporcionou sim um aumento natural de resistência e de proteção das plantas tratadas.

Vejas os dados de produtividade que obtivemos na fazenda Campo Alegre em Catalão, Goiás:

. data da colheita: 24 de abril de 2004

 

Local

Variedade

Produtividade com Basalto (kg/ha)

Produtividade
sem Basalto (kg/ha)

Diferença porcentual

Primeiro ano plantio

Engopa 313

3.105
(51,75 sc/ha)

2.520
(42sc/ha)

20%

 

 

 

 

 

Plantio direto

Pionner 379



3.468
(57,8 sc/ha)


3.060
(51 sc/ha)

13,33%

 

 

 

. Soja em rotação de cultura:

Acompanhei também a aplicação de basalto numa das áreas de renovação de canavial da Usina Dedini, em Santa Cruz das Palmeiras, juntamente com o técnico agrícola e hoje estudante de Agronomia, Carlos Alexandre Moraes, na safra 2003/2004.

Lá eles cultivam a soja num sistema de rotação de culturas, ou seja, quando a plantação de cana perde seu vigor devido a sucessivos cortes, eles cultivam uma espécie diferente das gramíneas, para em seguida voltarem a plantar cana no local, fazendo assim a rotação de culturas.

Os aspectos em relação ao controle de lagartas lá também foram notados, bem como o do aumento de produtividade. Porém uma outra coisa que me chamou a atenção, foi o fato curioso de que os grãos colhidos na área que foi aplicado o basalto eram bem mais limpos e sem impregnação de terra nos grãos que nas demais áreas.


Soja com basalto

 

 


Soja sem basalto



Notei que quando a colheitadeira passava pelas áreas testemunhas, ela acabava puxando para dentro da máquina no momento do corte das hastes de soja várias plantas inteiras com suas raízes e o solo que ela envolvia. E na área onde foi aplicado o basalto, as plantas se enraizaram bem mais, e quando a colhedeira passava cortando, as plantas não eram puxadas para dentro da máquina, apenas as hastes eram cortadas, pois as plantas estavam firmemente aderidas ao solo, e dessa forma as sementes permaneciam mais limpas.

Veja os dados de produtividade da colheita da soja na Usina Dedini em Santa Cruz das Palmeiras , em São Paulo:

. data da colheita: 19 de abril de 2004

Local

Variedade

Produtividade com Basalto (kg/ha)

Produtividade
sem Basalto (kg/ha)

Diferença porcentual


Área de renovação de plantação de cana


Monsoy


3.321
(55,35sc/ha)


2.880
(48 sc/ha)


15,31%

 

 

. Soja Campeã:

Na cidade de Casa Branca, no Estado de São Paulo, o engenheiro agrônomo e produtor rural Paulo Roberto Villas Boas Cassiolato, foi vencedor na safra de 2004 de um prêmio regional de produtividade de soja, promovido por uma empresa multinacional do ramo de fungicidas.

O produtor me relatou que utilizou sementes da variedade de soja Monsoy, e que dividiu a área de sua propriedade em duas partes, sendo que a única diferença entre os dois tratamentos em sua fazenda foi a aplicação de 02 toneladas de pó de basalto em uma das áreas.

Segundo Paulo Roberto, essa safra foi complicada em relação ao clima, pois ocorreram problemas de falta de chuvas e elevadas temperaturas durante o ciclo das plantas, limitando a produtividade, pois segundo ele, se o clima tivesse cooperado, os valores atingidos seriam maiores.

Na área tratada com basalto ele colheu 3.669, 4 Kg/hectare (61,15 sc/ha)), enquanto que na área não tratada a produtividade foi de 2.727,3 kg/hectare (45,45 sc/ha)). Ou seja uma diferença de 34,5% .


No caso, em termos de valores, o produtor investiu na época, cerca de U$ 170,00 de produto por hectare para obter a produção de 15,70 sacas de 60 kg a mais por hectare. Se fosse na safra atual de 2008, quando a soja está sendo paga R$45,00 por saco aos produtores (U$ 26,50 por saco).
Tal produtor teria um acréscimo de renda da ordem de U$ 227,50 por hectare promovido pela adição do basalto em sua plantação.

Paulo Roberto Cassiolato também notou as seguintes diferenças na área com basalto em relação à testemunha:

. as folhas ficaram mais duras;
. as plantas ficam com cor verde mais intensa;
. ocorrência de menor intensidade de ataque de lagartas;
. os grãos de soja demoraram um pouco mais para amadurecer;
. os grãos ficaram maiores e mais pesados.

Para terminar este caso de sucesso, o produtor afirma que a qualidade das sementes produzidas com o basalto como complemento nutricional foi tão boa, que elas foram classificadas para serem utilizadas como sementes, recebendo um preço melhor, enquanto que a soja da área não tratada ficou menor, e foi comercializada como grão para consumo, recebendo um preço menor.

 

Vejamos outros resultados desse trabalho de campo:

. em cana-de-açúcar;

. em citros;

. em feijão;

. em girassol;

. em pastagens;

. em soja ;

. e em olerícolas .

 

 



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