Remineralização dos solos e alimentos

Conceitos, trabalhos e depoimentos


O Basalto e a Remineralização dos Solos e dos Alimentos no Brasil

 

Efeito do Basalto Agrícola em CITROS:

. autor: Eng. Agr. Carlos Cristan

 

Meus trabalhos de observação dos efeitos do basalto nas plantas se iniciaram numa fazenda de pomares de laranjas, em 1992, na Fazenda Nova Vida, dos Irmãos Vaz, no município de Dourado, cidade central do Estado de SP.

Foi lá que notei a primeira vez que as laranjeiras que cresciam perto de um afloramento de rochas basálticas se desenvolviam melhor que as demais árvores da propriedade, e que embora estivessem na área mais elevada da fazenda, onde o solo é também mais seco, eram as últimas plantas que murchavam em períodos de extrema seca.

A partir dessa observação, por curiosidade comecei a analisar a composição química das rochas basálticas das jazidas em minha região, e a partir de 1994 iniciei trabalhos de aplicação do pó de basalto em pomares de grande escala. De lá para cá verifiquei resultados positivos e confiáveis em muitos aspectos que aqui vamos abordar.

 

Mudas cítricas :

Quando se aplica o pó de basalto no momento de plantio das mudas, sempre observamos o crescimento e o desenvolvimento mais rápido das plantas.



Para o tratamento do berço das plantas (prefiro chamar de berço a cavidade onde plantamos as mudas, pois aí colocamos um bebê onde vamos tratar com cuidados e carinho, não gosto do termo “cova”(cavity), pois em Português é o mesmo nome que recebe o buraco onde sepultamos os mortos) recomendo que seja aplicado e misturado a terra do berço de 2 a 5 kg de pó de basalto, juntamente com alguma boa fonte de matéria orgânica encontrada próxima a propriedade. No caso de se utilizar húmus de minhoca recomendo o uso da dose de 2 kg .

 

 

Se utilizar composto orgânico , este já deverá estável e bem decomposto, na dose de 2 a 4 kg .
Outras fontes de matéria orgânica como estercos também podem ser utilizadas no preparo de um berço feito com capricho.

 



Em solos muito pobres em Fósforo, aconselho a adição de 300 gramas de superfosfato simples no solo do berço, que embora seja um fertilizante sintético, ele é bem aceito por muitas correntes ideológicas da chamada Agricultura Orgânica devido a sua baixa agressividade ao ambiente.

 



Procedendo desta forma temos casos bem interessantes de antecipação da idade produtiva das plantas de 1 a 2 anos, como no caso do Sr. Milton Fernandes, em Anhembi, SP, que fazendo o tratamento descrito acima, começou a colher laranjas quando seu pomar tinha apenas 2 anos de idade, devido ao crescimento acelerado de suas plantas, sendo que o normal em sua região é se iniciar a produção aos 3 ou 4 anos de idade.

 

 


Janeiro de 2003
Sr. Milton Fernades ao lado da mesma
planta cítrica , agora com 01 ano de idade
tratada com basalto no berço

 

Há também o caso do Sr. Natal Lombardi, cujo pomar de laranjas está localizado em Ribeirão Bonito , SP, em solo bastante arenoso.

Ele fez o tratamento do berço de suas laranjeiras de variedade Hamlin no ano de 2002, e em um talhão ele dividiu em duas partes, sendo que em metade ele aplicou o basalto e na outra metade não.

Segundo o citricultor Natal Lombardi, o desenvolvimento das plantas tratadas sempre foi superior as plantas não tratadas, e em 2007 quando o pomar estava com 5 anos de idade, as plantas que receberam o tratamento no berço estão produzindo em média 5 caixas de 40,8 kg por pé, enquanto que as demais plantas estão produzindo em torno de 4 caixas por pé.

Em termos de rendimento econômico, isso representa 476 caixas a mais por hectare, ou seja, com os valores pagos na atual safra, representa U$ 2.069,00 a mais que a área não tratada. E o investimento em basalto (custo do produto não incluso o frete) ficou em U$ 98,00 por hectare na época do plantio.

 

 

Pomar Adulto :
Quando se aplica o pó de basalto em pomares adultos alguns resultados obtidos são facilmente observados, outros resultados são mais sutis.

A aplicação em pomares adultos pode ser feita manualmente ou com máquinas adubadeiras ou espalhadoras de calcário acopladas ao trator.

Tenho feito as recomendações de basalto em área total na dosagem de 2 toneladas por hectare, que aqui no Brasil nos espaçamentos comumente usados em pomares, equivalem na dosagem de 4 a 6 kg por planta.

Quando o solo apresenta boa fertilidade natural tenho recomendado que a aplicação seja realizada em área total, porém se o solo for arenoso ou pobre em nutrientes, recomendo que a aplicação seja feita sob a projeção da copa das plantas como se o produtor estivesse aplicando um fertilizante para estimular a expansão e o crescimento das raízes, pois os resultados são melhores.


Não devemos esquecer que assim como nas demais culturas aqui abordadas, a aplicação do basalto deve complementar os tratamentos nutricionais praticados pelos produtores, e que a aplicação de matéria orgânica em uma das parcelas de adubação, pelo menos uma vez ao ano, realça ainda mais os efeitos da rica nutrição de microelementos fornecida pelo basalto.

As plantas adultas tratadas com basalto ficam com as folhas mais enrijecidas que o normal devido a presença de Silício, Cálcio e Titânio no basalto.

Com isso os tecidos das plantas ficam mais resistentes a penetração de fungos como Alternaria ( Alternaria alternata ), Pinta preta ( Guignardia citricarpa ), Rubelose ( Erythricium salmonicolor ) e Antracnose ( Colletothrichum gloesporioides ).

Devo lembrar que o basalto não é fungicida, ele não vai matar fungos, porém reforça estruturalmente a epiderme da planta dificultando a ação de penetração dos fungos, conferindo assim mais saúde às plantas.

Há hoje no Estado de São Paulo um sério problema na variedade Murcote do ataque do fungo Alternaria alternata , provocando perdas na qualidade dos frutos, queda de folhas e em vários casos levando a planta inclusive a morte.
A aplicação de basalto nessa variedade tem dado mais saúde às plantas, e as lesões nos frutos tem sido amenizadas quando as plantas são tratadas com a aplicação de basalto no solo pelo menos 2 meses antes do período de florescimento.

No caso da doença Pinta Preta ( Guignardia citricarpa ) foi observada na Fazenda Yamaguishi, em Mogi Guaçu , na safra de 2004, uma redução de apenas 6% de lesões na casca das frutas.


Essa proporção de redução de lesões é realmente pequena, porém o basalto conferiu uma aderência maior da planta com o cabinho que a sustenta, reduzindo bastante a queda de frutos lesionados. O grande problema da pinta preta, é que além de deixar os frutos mais feios devido as lesões em pontos escuros nas frutas, essas lesões quando ocorrem próxima aos cabinhos, provocam a queda prematura dos frutos. Com aplicação de basalto notei que em muitos casos temos sim até lesões próximas ao cabinho, mas a aderência dos frutos fica melhor e a queda de frutos é menor.


Pomares em São Paulo , como o do Sr. Faustino Vaz , no Sítio Santa Helena, em Ribeirão Bonito , que há 13 anos apresentava sérios problemas com CVC (Clorose Variegada dos Citrus) quando receberam a aplicação de basalto, associado com matéria orgânica também melhoram bastante a saúde das plantas, amenizando os sintomas da doença nas folhas e frutos, possibilitando a convivência com a doença e reduzindo a necessidade e a intensidade de podas nas plantas doentes.


Tenho observado também que a ocorrência de Greening (HLB) nos pomares tratados com basalto tem ocorrido em proporção menores que os não tratados com basalto. Porém essa afirmação deve ser avaliada a partir de agora com mais rigor, para eu não correr o risco de dizer bobagem, pois essa grave doença dos citrus é de ocorrência recente aqui no Brasil.
Uma coisa é certa, plantas bem nutridas e de forma equilibrada sempre resistem mais ao ataque de pragas e doenças que em plantas debilitadas e desnutridas.



Frutos :
E o que acontece com os frutos onde é aplicado o basalto no solo?

Da mesma forma que as folhas ficam com os tecidos mais firmes e resistentes, os frutos ficam também com a casca mais dura que o normal e também mais pesados.

Quando percebi que os frutos ficavam com a casca mais dura que o normal, imaginei que eles teriam uma durabilidade maior depois de colhidos.

Fiz então uma experiência com frutos da variedade Valência. Quando os frutos estavam nos pés, tanto na área tratada como na testemunha, eles apresentavam praticamente a mesma coloração. Colhi então os frutos no pomar e os levei para minha casa, onde os deixei na temperatura ambiente sobre folhas de papel limpo, e uma outra parte dessa amostra coloquei os frutos em sacos plásticos fechados, uma condição que acelera a decomposição dos frutos maduros.

O resultado obtido foi o seguinte, os frutos tratados com basalto tiveram um desverdecimento da casca mais lento, e a durabilidade dos frutos chegou a 30 dias a mais depois de colhidos, e nos frutos que não receberam basalto a decomposição dos frutos se iniciou 10 dias após a colheita.

 


Frutos das plantas tratadas com basalto (à direita)
resistiram mais tempo à decomposição



Na prática comercial em grande escala, onde os frutos são muito manuseados até chegarem ao consumidor, os frutos tratados com basalto chegam a durar 10 dias a mais que os frutos não tratados, o que beneficia demais aos donos de estabelecimentos comercias e feirantes pois a mercadoria dura mais tempo em suas mãos, além de durar por mais tempo na geladeira dos consumidores.

Como o basalto é rico numa variedade muito grande de elementos nutricionais (alguns autores afirmam que no basalto são encontrados cerca de 50 elementos traços e outros autores afirmam já ter encontrado cerca de 90 elementos traços), as plantas cítricas os têm esses elementos prontamente à disposição para realização de seus processos metabólicos, e com isso há uma tendência da produção se tornar mais precoce, isto é, fica menor o tempo de formação das frutas, permitindo a antecipação da colheita.

A doçura dos frutos das plantas tratadas com basalto também é maior e a coloração da polpa é mais intensa.

Outro efeito facilmente notado também em citrus é a uniformidade do tamanho dos frutos. Não há uma disparidade grande entre frutos muito graúdos e muito miúdos, geralmente eles ficam com um padrão uniforme no tamanho.

Em citrus ocorre um efeito um tanto sutil em relação ao tamanho e peso dos frutos. Muitas vezes o tamanho dos frutos de pomares tratados com basalto é semelhante aos não tratados, porém seu peso varia de 10 a 18% a mais. Quem mais percebe isso são os caminhoneiros que transportam as frutas dos pomares para indústrias ou packing houses, pois com o mesmo volume de carga, o peso fica bem acima do normal.

 

 



Viveiros de mudas:

Atualmente no Estado de São Paulo, são permitidas a formação de mudas cítricas somente em viveiros protegidos com telados, e os produtores de mudas utilizam substratos a base de casca de pinus ou de fibra de coco, que são muito pobres em elementos traços,
tendo inclusive o problema de apresentarem baixíssimos teores de Ferro, que se esse elemento não for suprido via foliar ou na fertirrigação,
ocorre limitação do crescimento das plantas jovens.


Fiz vários testes de dosagens de basalto em mistura com o substrato para verificar o efeito no crescimento das mudas.


Os melhores resultados , no caso, foram obtidos com a mistura de 40 kg do meu material por metro cúbico de substrato.
Quando fiz isso, praticamente não foi notada a ocorrência de deficiência de microelementos nas plantas, e seu crescimento foi mais acelerado.

 

 

 


Onde encontrar este basalto?
Você encontra este basalto especial em pequenas quantidades na Basalto Agrícola ( basaltoagricola@yahoo.com.br )
ou em grandes quantidades na Pedreira Basalto 4 - fone: (19) 3404-3200

 

 

 

 

Vejamos outros resultados desse trabalho de campo:

. em cana-de-açúcar;

. em citros;

. em feijão;

. em girassol;

. em pastagens;

. em soja ;

. e em olerícolas .

 


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