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Primeiro Congresso Brasileiro de Rochagem
O interesse pela Remineralização cresce no Brasil e no mundo

Aconteceu em Brasília, capital do Brasil, entre os dias 21 e 24 de setembro de 2009, o primeiro Congresso Brasileiro de Rochagem.

Rochagem é o nome que recebe a técnica de aplicar pós de rochas no solo com o objetivo de obter melhores resultados na agricultura.

Fiquei feliz em estar presente no evento, pois percebi o interesse e motivação de pesquisadores de praticamente todas as regiões do Brasil e de várias partes do mundo como Inglaterra, Portugal, Canadá, África do Sul e Holanda.


Suzi Theodoro e Eder Martins
organizadores do congresso

O congresso foi bem organizado entre outras pessoas pelos geólogos Suzi Huff Theodoro (Petrobrás) e Eder de Souza Martins (Embrapa), que têm estimulado o reconhecimento da técnica de rochagem como alternativa ao uso dos adubos químicos.


Público do congresso

Durante o congresso foram apresentados mais de 30 trabalhos de pesquisas sobre a aplicação de rochas no solo visando principalmente encontrar alternativas práticas para o fornecimento de potássio na agricultura.
E o potássio é um elemento químico que esta começando a ficar escasso em nosso planeta, e no ano de 2008, o Brasil precisou comprar mais de 70 % de sua necessidade no exterior, ao custo de US$ 5 bilhões.

Dentro do contexto da busca dessa substituição do potássio por pós de rochas, foram apresentadas pesquisas com o uso de rochas como:

. Basalto;
. Granito;
. Fenolito;
. Zeolita;
. Amazonita;
. Wollostonita;
. Glauconita.

Também foram apresentados estudos sobre o Serpentinito visando fornecer Magnésio, Mármore para o fornecimento de Cálcio para as plantas, e um novo produto, a Água de Xisto para a remineralização das plantas por pulverização via foliar.

Percebi a preocupação com o meio ambiente dos pesquisadores com trabalhos visando o aproveitamento de rochas rejeitadas pelas mineradoras, que quando ficam espalhadas pelas imediações das jazidas se tornam problema ecológico.


Aula prática na Embrapa Cerrados

Além das palestras, houve um dia de visitas ao centro de pesquisas da EMBRAPA- CERRADOS, órgão governamental que procura buscar soluções técnicas ás regiões de cerrados, que é um tipo de vegetação característica da região central do Brasil. Nesse local pudemos ver como são feitas as pesquisas de campo sobre rochagem naquela instituição.

Dentre os trabalhos apresentados, gostaria de dar ênfase às apresentações de alguns pesquisadores, sem tirar o mérito dos demais trabalhos apresentados, já que todos eles são de grande importância na busca de uma agricultura mais saudável e sustentável com o uso de pós de rochas. Tais pesquisadores apresentaram inovações tecnológicas e de grande interesse prático:

 

. Diego Valentim Crescente Cara (diego.cara@gmail.com): - apresentou a Biotecnologia como alternativa tecnológica em diversos segmentos industriais e na substituição de diferentes processos na obtenção de toda sorte de produtos.

No campo da biohidrometalurgia, a extração de nutrientes de diferentes rochas é possível pela utilização de micro-organismos, através de seu próprio crescimento físico, gerando forças a partir do interior da particula ou pelos produtos do metabolismo, como por exemplo, ácidos orgânicos, que atuam na intemperismo químico da rocha, trocando os prótons pelo potássio, por exemplo.

Os micro-organismos podem ser de diferentes reinos, incluindo bactérias, arquéias, fungos, leveduras e actinomicetos.


 

 

. Magda Paixão (mferpaixao@hotmail.com): - apresentou um curioso trabalho com o uso de cinza de xisto, aplicados em doses de 02 a 05 kg do produto para cada 1.000 kg de sementes de centeio, que permitiu o controle de larvas de Sitophilus orizae ( L.) por um período de 180 dias.

Isso confere ao produto uma excelente alternativa ao uso de produtos químicos usados para o controle dessa praga em condições de armazenamento de grãos;

 

. Rafael Messias (rafaelm@cpact.embrapa.br): - demonstrou através de experimentos que a pulverização de água de xisto na cultura de alface chegou a aumentar o peso da matéria seca até 36% em relação a plantas que não receberam esse tipo de tratamento, provocando aumento na absorção de nutrientes como Enxofre, Zinco e Manganês;

. Ana Paula Bertossi (anapaulabertossi@yahoo.com.br): - além de comprovar efeitos positivos do pó de mármore em tomates, teve também a preocupação ambiental de comprovar em laboratório que o pó de mármore que é muito fino, não provoca resíduos na percolação da água no solo;

. Edinei de Almeida (edinei@aspta.org.br): - mais que demonstrar os efeitos benéficos do pó de basalto na cultura do milho, o pesquisador estímulos pequenos fazendeiros a compartilhar os resultados obtidos entre outros pequenos produtores familiares no preparo de um composto orgânico com a mistura de materiais orgânicos provenientes das fazendas com o pó de basalto. Este composto recebeu o bonito e sugestivo nome de “Composto da Independência”, cuja aplicação provocou o aumento da produtividade do milho, redução do uso de agrotóxicos para o controle de pragas e doenças e com custo de produção bem baixo.

 




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utor do texto: Carlos Cristan (carloscristan@hotmail.com)
- engenheiro agrônomo, trabalhando com remineralização de solos há 19 anos no Brasil

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